A casa era simples, paredes de madeira [aparentemente velha] cheia de cupins, teto mofado e alguns tacos faltando no chão áspero e sujo. Alguns vasos de flores tentavam enfeitar ou decorar a casa velha, mas o ambiente era triste e sem ar de graça. Novamente o jovem caminhou, desceu a escada que levava ao porão, abriu uma porta de madeira com maçaneta enferrujada.
O porão era o local mais interessante daquela residência. Parecia ser um local de meditação, usado por aquele jovem que sempre ficava alí. . .parado e observando o tempo. Depois de abrir a porta tocou no interruptor, ele deu quatro passos em direção a um toca fitas, apertou play e sentou em uma cadeira. La Villa Strangiatto tocava, pegou um livro empoeirado e retirou algumas teias de aranha. Assoprou e abriu.
A expressão facial dele mudou, do rosto triste para um rosto curioso, procurando por alguma coisa. . . talvez uma pessoa. O som que tocava fazia ele chorar, lembrar do passado, das coisas boas que conseguiu fazer e pessoas boas que havia conhecido, inclusive daquela menina branca de olhos claros e cabelos castanhos.
Sonhando. . .era verão, sentado na sombra de uma árvore. A menina começou a cantar, levantou e deu dois passos. Olhando para o jovem ela sorriu. . . sumindo, como se fosse um daqueles pensamentos que assistimos nos filmes.
Ele fechou o livro, levantou e apertou stop no toca fitas. Olhou para o porão pela ultima vez, novamente tocou no interruptor, fechou a porta e subiu as escadas. . .
"Uma pequena lembrança das minhas férias, na época que eu estava deprimido, sem noção das coisas que eu perdi lá fora. A menina era alguém que amei, uma pessoa doce, que não sabia o que era maldade. Me fez feliz. . .até eu perde-la. . .
tentei recuperar a época feliz, me trancando dentro de casa, visitando o porão daquela casa velha e olhando para o livro empoeirado. Não foi fácil."
texto por Bruno Alvim
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